Jornal Médico Grande Público

Estágio no estrangeiro: Fazer ou não fazer?
DATA
27/03/2018 11:46:31
AUTOR
Ana Borges Duarte - Interna de formação específica em Medicina Geral e Familiar
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Estágio no estrangeiro: Fazer ou não fazer?

Fazer um estágio no estrangeiro implica, antes de mais, uma saída da zona de conforto, isto é, daquele espaço de segurança mental, onde as nossas atividades se encaixam numa rotina que nos minimiza a ansiedade, o stress e o risco. Mas, sair da zona de conforto é bom ou é mau?

Segundo os psicólogos Yerkes e Dodson (1908), conseguimos maximizar a nossa performance quando nos colocamos num espaço um pouco acima do nosso nível de ansiedade normal. Este espaço, de ansiedade ótima, encontra-se logo após a zona de conforto e imediatamente antes da zona de ansiedade patológica, que, por sua vez, faz reduzir drasticamente a nossa performance.

Sair da zona de conforto não é bom, nem é mau. Estar na zona de conforto é uma tendência natural. No entanto, é quando saímos desta zona que aumentamos a nossa produtividade (zona de desconforto produtivo), melhoramos a nossa capacidade de lidar com as adversidades, reforçamos e adquirimos novas competências e desenvolvemos novas ideias. 

Enquanto interna da formação específica em Medicina Geral e Familiar, realizei um estágio no estrangeiro. O estágio, em Medicina de Família e Comunidade, teve a duração de um mês e decorreu no Rio de Janeiro, Brasil. Com este estágio tive a oportunidade de sair da minha zona de conforto, sozinha, conhecer um país novo e um sistema de saúde diferente, assim como conhecer as especificidades da especialidade médica equivalente à nossa Medicina Geral e Familiar e as características do Programa de Residência, equivalente ao nosso Internato de Formação Específica. Também tive oportunidade de prestar cuidados de saúde primários, integrada em equipas de saúde com uma organização diferente das portuguesas, a comunidades diferentes, com problemas de saúde diferentes e que, logicamente, exigem cuidados diferentes.

Deste estágio trouxe uma bagagem repleta de novas ideias, experiências e pontos de vista e lá tentei deixar alguma da bagagem que levava. Trouxe, também, a certeza que realizar um estágio no estrangeiro é uma experiência enriquecedora, tanto a nível profissional como pessoal.

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