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Cimeira de Cascais: Compromisso Nacional por uma Agenda de Valor em Saúde em Portugal
DATA
22/04/2019 15:29:47
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Jornal Médico
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Cimeira de Cascais: Compromisso Nacional por uma Agenda de Valor em Saúde em Portugal

No próximo dia 10 de maio, a Universidade Nova de Lisboa, no seu Campus de Carcavelos, acolherá um evento público sobre valor em saúde, a “Cimeira de Cascais”. Antes haverá lugar a uma conferência científica que contará com investigadores nacionais e estrangeiros, e a apresentação de resultados de trabalhos de investigação com dados portugueses e experiências locais. A cerimónia terá como ponto alto a assinatura do Compromisso Nacional por uma Agenda de Valor em Saúde em Portugal. O Jornal Médico falou com o João Marques Gomes, Chair da NOVAsaúde, sobre as expectativas e principais objetivos da Cimeira.

JORNAL MÉDICO (JM) | Como se chegou à Cimeira de Cascais?

JOÃO MARQUES GOMES (JMG) | Em 2016/2017 houve um interesse da nossa parte em Value-Based Healthcare e logo em 2017 organizámos o ICHOM em Portugal. O que fizemos foi perguntar aos portugueses se esta ideia de cuidados de saúde baseados em valor era algo que lhes interessava e em seguida se queríamos avançar com as métricas desta organização, que tem como propósito fundamental desenvolver um conjunto de questionários, com um conjunto mínimo de perguntas que podem ser colocadas em qualquer parte do mundo.

A Conferência ICHOM em Portugal reuniu todos os players, desde prestadores de saúde públicos a privados, seguradoras e ordens profissionais. Estiveram presentes 500 pessoas nesta conferência, um número bastante elevado tendo em conta que na conferência ICHOM internacional estão presentes 600, para um país com a dimensão de Portugal reunir 500 pessoas para falar de Value-Based Healthcare é algo revelador do interesse que existe por parte dos stakeholders portugueses.

Continuámos desde essa altura a implementar o conceito de Value-Based Healthcare, com um conjunto de iniciativas com hospitais e com associações, como por exemplo a APAV. Em 2018, achámos que faria sentido fazer uma reunião de trabalho, o Portugal Value Meeting for Health and Care, onde juntámos os que já praticavam Value-Based Healthcare e aqueles que têm interesse em fazê-lo, tivemos uma adesão bastante elevada. Posto isto, notámos um verdadeiro interesse dos médicos, das ordens profissionais, dos enfermeiros e farmacêuticos que veem o Value-Based Healthcare como uma prioridade – foi assim que surgiu a ideia do Compromisso Nacional por uma Agenda de Valor em Saúde em Portugal. Nesta cimeira vamos juntar todos os players que se irão comprometer com objetivos a dois anos para que a prestação de cuidados de saúde com valor seja uma prioridade.

 

JM | As expectativas estão muito elevadas?

JMG | Estamos a falar de todos os agentes da área da saúde, desde presidentes de conselhos de administração a presidentes de associações de doentes, bastonários, entre outros e por isso as expectativas estão elevadíssimas, é o “Acordo de Paris” por uma agenda de valor em saúde.

 

JM | Como caracteriza o Value-Based Healthcare?

JMG | Reconhecemos que os resultados de saúde entre um e outro hospital, a qualidade dos serviços prestados deve ser igual e neste momento não são. Em alguns casos a diferença pode ser muitíssimo significativa, por exemplo na Alemanha a taxa de reoperação depois de uma cirurgia da anca é de 18 vezes, isto significa que o melhor hospital na Alemanha tem uma taxa de reoperação 18 vezes inferior ao pior hospital. Na Suécia, uma cirurgia simples a uma catarata tem uma variação da taxa de complicações de 36 vezes, significa que o melhor hospital tem resultados 36 vezes melhores que o pior hospital.

Não é indiferente entrar num ou noutro hospital, podemos ter a sorte de entrar num hospital 36 vezes melhor que o pior ou o azar do inverso, não temos dados, é a opacidade total. Os resultados de saúde são primeiramente resultados clínicos e existe evidentemente uma grande variação. Esta variação significa que existem práticas que não são tão boas como poderiam ser, temos de escolher as práticas em função dos resultados que estas têm.

Queremos reduzir ao máximo esta variação de resultados, queremos aumentar médias e queremos que os profissionais de saúde escolham as práticas com melhores resultados.

Saúde Pública

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