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Armando Mansilha: “É um enorme orgulho e privilégio ser presidente da SPACV”
DATA
18/07/2018 09:43:41
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Jornal Médico
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Armando Mansilha: “É um enorme orgulho e privilégio ser presidente da SPACV”

O Jornal Médico falou com Armando Mansilha, Professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e Coordenador da Unidade de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital CUF Porto, a propósito de ter sido eleito Presidente da Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular (SPACV), durante o 18.º Congresso da SPACV, com o intuito de perceber quais são os principais objetivos e medidas para o seu mandato.

JORNAL MÉDICO (JM) | O que representa, para si, ser nomeado presidente da SPACV?

ARMANDO MANSILHA (AM) | Para mim é um enorme orgulho e privilégio ser Presidente da SPACV durante o próximo biénio. Esta sociedade representa os cirurgiões vasculares portugueses, à qual estive ligado desde sempre, inclusive noutras qualidades, nomeadamente como vogal da direção dois anos e secretário geral quatro anos. Portanto, poder contribuir para que a SPACV seja cada vez mais forte e reconhecida pelos seus parceiros institucionais, da área médica e outras sociedades científicas congéneres, bem como poder fomentar, ainda mais, as relações internacionais e contribuir para que os nossos sócios, particularmente os mais jovens, possam ter, cada vez mais, oportunidades e formação pós-graduada, é um enorme desafio.

Por outro lado, saber que estou integrado numa equipa que representa todas as unidades, serviços e departamentos de cirurgia vascular do país e, portanto, é uma garantia de vir a estar ao serviço de todos e para todos.

 

JM | Quais são os principais objetivos e medidas para o seu mandato?

AM | Temos vários objetivos delineados, entre os mais importantes, a nossa aposta fortíssima na formação pós-graduada, no âmbito de um conceito criado recentemente na sociedade - Academia SPACV - em que, através de vários núcleos, temos continuamente a organização de reuniões, workshops práticos, jornadas de atualização. Temos, inclusive, a possibilidade de oferecer aos nossos internos bolsas de estágio, bolsas de investigação, bem como premiar o mérito, através das melhores publicações, das melhores comunicações e posters. Esta é, seguramente, uma das nossas principais apostas: a formação pós-graduada e a Academia SPACV.

Existe, ainda, outra aposta forte na nossa revista científica, que consiga manter informados e atualizados todos os profissionais desta especialidade. Mas, para que isto seja verdade, é obrigatório que os cirurgiões vasculares publiquem cada vez mais e melhor. Desta forma, esperamos que a SPACV possa contribuir neste sentido, fomentando o mérito e, posteriormente, projetar cientificamente os próprios e a sociedade a nível internacional.

Queremos, também, fomentar relações institucionais de proximidade, sobretudo com a tutela e com o Ministério da Saúde, em algumas temáticas do domínio da saúde pública, como, por exemplo, o aneurisma da aorta abdominal e o pé diabético. Neste sentido, esperamos conseguir implementar rastreios, de forma a diminuir a mortalidade, custos de saúde e custo financeiros.

Pretendemos desenvolver, ainda mais, a proximidade com a Ordem dos Médicos (OM) e com o respetivo Colégio de Especialidade (CE). Queremos estar próximos do colégio, nomeadamente em tudo aquilo que diz respeito à formação pós-graduada e desejamos que o colégio nos reconheça, também, como um parceiro e interlocutor.

Criar relações com as nossas sociedades congéneres científicas, particularmente a Medicina Geral e Familiar, e, também, fortalecer relações a nível internacional são outros dos objetivos. Neste momento, já temos acordos de cooperação regular com as sociedades espanhola e italiana e, portanto, a nossa aposta passa por manter, reforçar e fomentar a possibilidade dos nossos e dos outros poderem fazer um intercâmbio entre países que são diferentes, mas que têm culturas e práticas que não são assim tão diferentes.

 

JM | A especialidade de Angiologia e Cirurgia Vascular atende, em média, quantos utentes em Portugal?

AM | Não tenho números concretos, mas certamente essa é uma das vertentes em que pretendemos estar em sintonia com o Ministério da Saúde. No entanto, posso adiantar que existem milhares de consultas distribuídas por todo o país e que a prevalência da doença vascular periférica tem vindo a crescer. Isto deve-se sobretudo devido ao aumento da esperança média de vida em Portugal. Algumas das nossas patologias mais prevalentes são mais prevalentes nas faixas etárias mais envelhecidas, sendo que estes doentes precisam, cada vez mais, dos nossos cuidados. Isso, seguramente, não tenho dúvidas.

Também sabemos que, até agora, não estamos a conseguir chegar de forma igualitária a todo o território nacional. Acredito que a SPACV possa ser um parceiro da tutela nesta temática e sê-lo-á com muita energia e convicção.

Saúde Pública

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