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Vítor Virgínia: “O quanto e o como têm que caminhar de mãos dadas”
DATA
25/05/2018 16:07:04
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Jornal Médico
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Vítor Virgínia: “O quanto e o como têm que caminhar de mãos dadas”

Fiel aos ensinamentos de George Merck – que referia que “Tentamos não esquecer nunca que a Medicina é para as pessoas, não é para os lucros, e se nos lembramos sempre das pessoas, os resultados acabarão por aparecer” –, a MSD é “uma empresa que coloca as pessoas e as suas necessidades em primeiro lugar”. A garantia de que esta é efetivamente uma missão concretizada na prática, e não apenas um mero chavão, foi transmitida em entrevista ao nosso jornal pelo diretor-geral da companhia em Portugal, Vítor Virgínia.

JORNAL MÉDICO (JM) | Em 2014, quando tomou posse como diretor-geral (DG) da MSD Portugal, apontou como principal objetivo – e passo a citá-lo – “colocar a MSD Portugal num lugar de destaque dentro do mundo MSD, para que continue a ser reconhecido como um mercado-chave que prima pelos resultados e pela ética”. Volvidos quatro anos, esse é um desiderato alcançado?

VÍTOR VIRGÍNIA (VV) | Creio que sim. Durante os últimos anos regressámos a uma fase marcada pela evolução da empresa em Portugal, alargando a nossa presença e aportando mais valor à sociedade, no crescimento organizacional, na melhoria do ambiente, no recrutamento e fixação de talentos, nas competências e capacitações dos nossos colaboradores e, sobretudo, no reforço da confiança. É isto que nos transmitem alguns números e reconhecimentos externos que validam esta nossa perceção.

Os nossos resultados têm colocado a companhia como líder do mercado farmacêutico nestes últimos anos. Temos sido reconhecidos como um excelente lugar para trabalhar. Ainda este mês o Great Place to Work atribuiu à MSD a distinção de melhor empresa para trabalhar em Portugal no universo de companhias com mais de 250 colaboradores. Acresce o prémio social em Liderança que também nos foi concedido, reflexo do cuidado que temos tido em formar e informar as nossas pessoas e de liderar pelo exemplo. Recordo as palavras que nos foram deixadas pelo Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, na atribuição do Prémio Maria José Nogueira Pinto em Responsabilidade Social organizado pela MSD, referindo o nosso reiterado compromisso para com as causas sociais. É esta confiança, revelada por sinais externos de reconhecimento, que validam este nosso trabalho.

 

Somos hoje uma empresa mais competitiva, com rumo e foco claros e, não menos importante, com uma interação com todos os interlocutores, incluindo as autoridades de saúde, pautada pelo respeito, assente na forma séria e transparente como encaramos todos os processos de interação e respostas a solicitações.

JM | Em que pilares assenta a estratégia da MSD Portugal e quais as áreas-chave da companhia no mercado nacional?

VV | A MSD Portugal procura afirmar a sua diferenciação através da criação de valor para o sistema de saúde, em diversas dimensões. No alinhamento com a nossa divisão internacional, a MSD Portugal está presente e lidera já no campo da Imuno-oncologia, pelo que podemos dizer que a área da Oncologia – em linha, aliás, com a realidade dos países ocidentais – é uma das áreas prioritárias. Outra das áreas prioritárias para a MSD Portugal reside na prevenção da doença e na promoção da saúde, com a nossa oferta de soluções em vacinas, antibióticos e anti-infeciosos.

No entanto, a MSD é uma empresa com uma oferta muita diversificada e diferenciada de produtos e soluções no seu portefólio, seja na área da diabetes, VIH, hepatite C, cardiovascular, imunologia, anestesiologia, respiratória, dor ou mesmo na área da contraceção, entre outras. Somos uma empresa global, com portefólio global, com uma preocupação na pesquisa, investigação e desenvolvimento (I&D) de novas moléculas e com um pipeline invejável, o que nos permite estar presentes em Portugal com uma preocupação, reconhecida pelas autoridades, de procura das melhores soluções que satisfaçam as necessidades da população. Inevitavelmente, estamos também a bordo de toda a transformação digital que ocorre globalmente e da qual não é exceção a indústria farmacêutica (IF). Também nesta vertente, queremos estar na linha da frente e ser reconhecidos pela liderança.

 

JM | Num sector tão competitivo quanto o da IF como é que a MSD marca a diferença?

VV | Vou recorrer a algo que se ouve com frequência, mas cuja implementação nem sempre convence: somos uma empresa que coloca as pessoas e as suas necessidades em primeiro lugar. Dialogamos com as autoridades de saúde portuguesas sempre com o propósito de encontrarmos as melhores soluções, tendo em conta a capacidade de o Estado assumir as suas responsabilidades de assegurar saúde com qualidade para todos, contribuindo para a melhoria dos indicadores de qualidade de vida e assegurando e permitindo a sustentabilidade das contas públicas. Somos fiéis aos ensinamentos de George Merck, que referia que “Tentamos não esquecer nunca que a Medicina é para as pessoas, não é para os lucros, e se nos lembramos sempre das pessoas, os resultados acabarão por aparecer”.

 

A MSD é líder do mercado farmacêutico em Portugal, logo, tem responsabilidade acrescida de contribuir para elevar o capital de credibilidade e de respeito de todo o sector farmacêutico. Isso consegue-se com um exemplar comportamento ético, com escrupuloso cumprimento de todas as normas e respondendo afirmativamente e de modo construtivo aos desafios que as autoridades e os clientes nos lançam todos os dias. Para mim, para nós, o quanto e o como têm que caminhar de mãos dadas.

 

JM | Considera que o facto de terem um vastíssimo leque de áreas terapêuticas traz mais vantagens ou mais ameaças, a nível de negócio?

VV | Traz a vantagem de sermos menos dependentes de uma ou outra área, o que nos diferencia face a outras empresas. Mas, também dificulta a tarefa de atender a áreas terapêuticas muito distintas, com a necessidade de esforço de acompanhamento, foco e alocação de recursos que isso implica, não nos retirando nunca a clareza relativamente às áreas prioritárias.

Pessoalmente, considero uma vantagem, e creio que os colaboradores também, porque embora exista um esforço maior para apoiar, acompanhar e focar distintas prioridades/interesses, também existe uma relativa diminuição ao risco de exposição excessiva.

Há também uma questão muito importante: temos a capacidade e responsabilidade de chegar a mais pessoas, ajudando a tratar as doenças de que padecem num determinado momento da sua vida, ou prevenindo doenças através das nossas vacinas. Creio que podemos facilmente dizer que é preferível trabalhar numa empresa que tem muitos pilares onde se apoiar, mesmo com o esforço adicional de alinhamento e foco, do que numa outra que possa estar mais dependente de reduzidas áreas terapêuticas. Em todo o caso, todos tentamos fazer o melhor, em função da realidade que vivemos e concentrados em contribuir para melhor saúde e mais vida.

 

JM |Afirmam ter a ética e boas práticas, a criação de valor, o reconhecimento da excelência e as pessoas como eixos centrais da companhia. Como se refletem estes valores no trabalho desenvolvido no dia a dia e na relação com os parceiros?

VV | A interiorização dos sólidos valores éticos, morais, o código de conduta, as normas e princípios são algo de que não abdicamos e todos encaramos isso de modo positivo, como uma defesa de que estamos a agir com rigor, isenção, correção, honestidade e transparência. O nosso CEO, Ken Frazier, refere que os nossos valores e normas constituirão sempre a verdadeira base do nosso sucesso. Todos nos revemos nisto e acreditamos que o fazemos de uma forma natural, sem esforço, com grande alegria e entusiasmo, até porque é assim a MSD há mais de 125 anos em todo o Mundo e cerca de 50 em Portugal.

 

JM | Como vivem corporativamente o mote Inventing for life?

VV | Com a serenidade responsável de quem compreende, na sua total extensão, o que isso significa. A nossa empresa sempre fez da inovação, da investigação, uma forma de invenção. A palavra Inventing não deve ser traduzida à letra; em português poderíamos dizer que “Descobrimos pela e para a Vida”. A MSD possui um legado invejável, até mesmo com a atribuição de um Prémio Nobel da Medicina a um dos seus investigadores, o Professor William Campbell que, em associação com outros cientistas, descobriu uma molécula que hoje faz parte do programa de responsabilidade social da MSD, o qual consiste na doação do Mectizan, de modo a erradicar a cegueira dos rios. Trata-se do programa de doação de medicamentos com maior duração no mundo.

Mas, fomos responsáveis por muitas outras invenções, seja na área das vacinas, seja no domínio das estatinas (área cardiovascular) ou na introdução do primeiro inibidor da DPP4 (diabetes), entre muitas outras descobertas. Internamente, fomentamos este espírito. Na MSD Portugal temos um programa de inovação, aberto aos colaboradores, que vai para o seu terceiro ano de implementação, e do qual já nasceram ideias válidas incorporadas na nossa operação. Julgo ser lícito referir, hoje, que a inovação está no nosso ADN e que aspiramos e ambicionamos mais ainda.

 

JM | É fácil ser-se inovador em Portugal? São recorrentes, por parte da maior parte das companhias farmacêuticas a operar em Portugal, as críticas aos atrasos na aprovação de fármacos inovadores por parte do Infarmed… De que modo a atuação da autoridade nacional do medicamento tem impacto na vossa estratégia?

VV | Como já referi, somos focados na criação de valor e na centralidade do cliente. As autoridades de saúde são, obviamente, importantes interlocutores com quem temos uma relação permanente. Confesso que mais do que entrar na discussão que menciona, gostamos, na MSD, de discutir com todos os decisores, no qual se inclui a nossa agência do medicamento, a melhor forma de fazer chegar a nossa inovação aos cidadãos em Portugal, de uma forma sustentável para o nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS). Creio que somos uma empresa respeitada e que se dá ao respeito, justamente porque também respeitamos o trabalho dos outros, a sua jurisdição e as suas competências.

 

JM | Como se define enquanto líder?

VV | É sempre mais fácil sermos definidos pelos outros. O que sei e, em consciência pratico, é uma gestão baseada no exemplo, na autenticidade e na transparência, sem ocultar o bom e o mau que vivemos em cada momento, e mobilizando todos para os contributos e aporte de valor.

 

Julgo que o meu papel procura ser o de alguém que, não dominando todos os processos – até porque isso hoje não existe, em função da elevada especialização técnica de algumas funções –, tem por preocupação assegurar o alinhamento, a focalização, a reflexão e a inovação dos melhores saberes, competências e capacidades que existem na MSD Portugal.

Creio que uma das melhores características que um líder pode ter é saber ouvir, saber acolher, saber integrar, ter a noção de humildade sobre os limites do seu saber técnico e sobre a sua condição de pessoa igual às pessoas que lidera, e depois saber processar a informação, criar cenários, validá-los e conseguir que existam seus seguidores que, acreditando também nos mesmos valores, possam ser os melhores implementadores.

Numa empresa multinacional há menos espaço para grandes desafios de estratégia, mas, ao nosso nível, a mesma pode e deve ser customizada e adaptada para criar a diferenciação que nos permita elevados níveis de motivação, foco, liberdade e responsabilidade, para que a MSD Portugal continue a ser a empresa número um do mercado farmacêutico em Portugal.

 

JM | Iniciativas como o Prémio Maria José Nogueira Pinto ou o Prémio em Saúde Pública e Epidemiologia Clínica SCML/MSD são um inequívoco apoio da vossa parte à investigação. Também a formação médica pós-graduada constitui uma das vossas preocupações enquanto companhia. É legítimo afirmar que o Estado se demitiu, de certa forma, do seu papel nestas duas vertentes e que a IF tem aqui um compromisso a desempenhar?

VV | Do ângulo pelo qual observo a questão creio ser mais justo dizer que todos temos o nosso papel a cumprir e que uns somos complementares dos outros. Nesta área, como noutras, a MSD procurar dar o melhor contributo que lhe é possível com os recursos limitados existentes.

 

JM | São ainda vários os projetos que reforçam o compromisso da companhia em termos de responsabilidade social. Que retorno esperam e obtêm do investimento nesta área?

VV | Quem contribui através do sector social e voluntariado não deve esperar retorno, caso contrário deixa de ser pelo prazer de dar à sociedade, passando a ser pelo reconhecimento que a sociedade dá às empresas e pessoas que apregoam de forma ruidosa a caridade e os gestos de alegado altruísmo da sua atuação. Muito do que fazemos não divulgamos, até porque as pessoas tendem a preferir o anonimato.

 

Posso dizer-lhe que tenho muito orgulho do que fazemos, enquanto empresa e enquanto cidadãos. O que divulgamos sobre o que fazemos é apenas aquilo que tem expressão mediática visível, que aproveita aos vencedores desses prémios. Mas temos muitos vencedores silenciosos dentro de casa, felizmente. E a esses presto o meu especial reconhecimento.

 

JM | Quais prevê que sejam, numa perspetiva nacional e em termos globais, as tendências/dinâmicas do mercado farmacêutico a curto/médio prazo e como fará a MSD frente a esses desafios?

VV | Os conceitos de curto, médio e longo prazos mudaram. Há 25 anos democratizaram o uso público da internet. Hoje não vivemos sem ela e foi há tão pouco tempo. A investigação em saúde vai continuar a registar-se e a um ritmo cada vez mais acelerado, sem precedentes. O envelhecimento vai continuar, as doenças agudas tornar-se-ão crónicas, algumas das crónicas serão curáveis, a biotecnologia, a inteligência artificial, a robótica, a nanotecnologia e tudo o que ainda não existe, mas vai surgir, colocarão desafios ao ser humano e à civilização sobre os quais nem me atrevo a dar palpites…

O mais importante é estarmos atentos e despertos para olhar para os fenómenos e para a procura permanente de respostas aos desafios. Para já penso que ainda existe espaço – e espero que sempre exista – para o relacional, para o contacto direto entre pessoas, mas não tenho dúvidas de que a transformação digital que iniciámos e os desafios do novo mundo, muito científico e com integração de tecnologias de diversos saberes, vai ser o grande desafio para os próximos dez anos. Para além disso não consigo sequer imaginar o que aí virá. Mas, são tempos únicos, de grandes invenções, de prolongamento da vida, de alívio do sofrimento, de tensões económicas e desafios pela sustentabilidade que, espero, não acentuem o fosso entre quem mais tem e quem menos possui. Por tudo isto, deixo as estimativas e previsões aos mais capazes de o fazerem, sublinhando o que é sabido: os recursos são limitados e as verdadeiras parcerias vão ser necessárias.

 

JM | Que mensagem gostaria de deixar aos médicos portugueses?

VV | A MSD Portugal está no mundo há 127 anos. Em Portugal estamos há cinco décadas e a nossa intenção é aqui permanecer e sermos reconhecidos como o melhor parceiro de saúde, dentro do sector, não apenas na disponibilização de medicamentos, vacinas e soluções tecnológicas, mas também na criação de parcerias virtuosas e apoio organizacional para o seu desenvolvimento pessoal, o das organizações onde trabalham e o dos doentes e cidadãos que por si são assistidos.

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