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"Assimetrias nas terapêuticas" de Esclerose Múltipla
DATA
11/02/2019 10:16:21
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"Assimetrias nas terapêuticas" de Esclerose Múltipla

Em Portugal há “grandes assimetrias” no acesso às terapêuticas para a Esclerose Múltipla, devendo o Governo “dar mais atenção” a esta situação, disse este domingo a presidente do congresso internacional sobre o tema que decorre na próxima semana, no Porto.

A médica especialista Maria José Sá referiu que o país é pequeno, mas tem “imensas assimetrias” no que ao acesso à medicação para esta doença diz respeito, originando “queixas” por parte dos clínicos.

Por esse motivo, a responsável chama a atenção do poder político para o facto de a doença ser tratada no país todo, devendo todos os hospitais estar em “pé de igualdade” quanto à medicação.

Na sua opinião, é fundamental melhorar o planeamento da assistência médica e a alocação de recursos, salientando que os custos totais aumentam com a gravidade da doença e o tipo de recursos muda.

Maria José Sá considerou que este é um dos principais desafios que se coloca à Esclerose Múltipla, lembrando haver hospitais que só têm uma determinada linha terapêutica, ou onde determinados medicamentos demoram algum tempo a chegar.

Há ainda doentes seguidos em hospitais mais pequenos por neurologistas, mas sem especialização específica nesta doença, frisou.

Em Portugal, não há centros de referência para a Esclerose Múltipla, recordou, entendendo que a sua existência seria fundamental para os doentes, sua referenciação e aplicação de nova terapêutica.

Outro dos desafios atuais é descobrir a causa da doença, algo que ainda está “muito longe” de acontecer para já, ressalvou a médica.“Se soubermos a causa, podemos atuar com maiores certezas sobre o que provoca a esclerose”, considerou.

Maria José Sá falou ainda nas inovações nesta área, nomeadamente numa investigação a cargo do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S), no Porto, que assenta no desenvolvimento de sensores elétricos que permitem obter amostras biológicas para avaliar várias doenças.

A Esclerose Múltipla, doença crónica, inflamatória e degenerativa, afeta cerca de 8.000 pessoas em Portugal e 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo.

Em Portugal, estima-se que 77% dos doentes com esclerose não está a trabalhar devido à doença e 61,7% sentem limitações nas suas tarefas diárias.

Além disso, 32% dos doentes não conduzem, 72% sente que a sua produtividade no local de trabalho é afetada, 64,1% relatam sofrer de ansiedade e depressão, 60,1% dizem ter dores e 57,8% ficam com a mobilidade afetada.

Saúde Pública

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