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APORMED: Hospitais deviam 288,5 ME às empresas de dispositivos médicos em agosto
DATA
23/10/2018 11:04:18
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APORMED: Hospitais deviam 288,5 ME às empresas de dispositivos médicos em agosto

Os hospitais públicos deviam, em agosto, 288,5 milhões de euros (ME) às empresas de dispositivos médicos e demoravam em média quase um ano a pagar, revela a Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED).

Em declarações à agência Lusa, o presidente da APORMED, João Gonçalves, disse que “o problema dos atrasos no pagamento dos hospitais públicos às empresas fornecedoras, nomeadamente de dispositivos médicos, é um problema recorrente".

“Contudo, o que temos vindo a verificar neste segundo semestre é que a dívida hospitalar tem vindo a aumentar, essencialmente, porque há uma expectativa de uma verba especial de 500 ME que era para ter ocorrido já antes das férias de verão e não ocorreu”, não havendo notícia de quando essa verba será desbloqueada, explica João Gonçalves.

De acordo com os dados mais recentes, que dizem respeito ao passado mês de agosto, a dívida total situava-se nos 288,5 ME e a dívida vencida a mais de 90 dias rondava os 182,2 ME.

Quanto aos prazos médios de recebimentos, o responsável indica que já ultrapassaram os 330 dias (334 dias) nos últimos meses, uma situação que a APORMED considera “inaceitável e francamente penalizadora” para as empresas.

“É um prazo médio demasiado elevado”, afirma, contando que as empresas reportam à associação “problemas do dia-a-dia relacionados com a falta de liquidez nas suas tesourarias” provenientes destes atrasos no pagamento.

A APORMED considera de “vital importância” o desbloqueio imediato dos 500 ME, apelando ao Ministério da Saúde para não reter esta verba até ao final do ano, como tem sucedido em anos anteriores, porque “iria agravar mais a situação atual”.

Além do apelo para as autoridades libertarem esta verba, no sentido de “aliviar um pouco as empresas desta situação negativa”, João Gonçalves pede que sejam criadas “medidas estruturais” que permitam resolver a questão da dívida dos hospitais públicos, “uma situação crónica” em Portugal.

João Gonçalves defende, ainda, que as autoridades possam “atuar de forma semelhante” a outros países do sul da Europa que conseguiram resolver a situação, dando como exemplo Espanha que há cerca de cinco anos apresentava “situações piores do que a portuguesa”, com prazos médios de pagamento “muito mais dilatados” e que hoje são inferiores a 90 dias.

“Neste momento Portugal é o pior país da Europa ocidental, o que não nos prestigia e que faz com que este setor e este mercado seja menos atrativo para os players que neles operam”, frisa o presidente da APORMED.

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