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Portugal com atraso de 40 anos em matéria de promoção de alimentação saudável
DATA
15/10/2018 16:09:12
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Portugal com atraso de 40 anos em matéria de promoção de alimentação saudável

A Ordem dos Nutricionistas (ON) afirmou, hoje, que Portugal tem 40 anos de atraso em matéria de promoção da alimentação saudável, defendendo que é preciso impor “mais ritmo” e “mais intensidade” em medidas para melhorar os hábitos alimentares dos portugueses.

“Portugal tem que impor mais ritmo e mais intensidade àquilo que são as medidas para promover a alimentação saudável”, defendeu a bastonária da ON, Alexandra Bento, num encontro com jornalistas para assinalar o Dia Mundial da Alimentação.

Alexandra Branco considera que o país “acordou muito tarde em relação àquilo que têm sido os reptos de organizações internacionais, como é o caso da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação] que, em 1974, dizia que todos os países deviam traçar uma política alimentar e nutricional para o seu país”.

Portugal só traçou esta política ao fim de 40 anos, sendo que o atraso é visível na prevalência da obesidade (22,3%), da diabetes (13%), da hipertensão arterial (40%). A bastonária salientou que mais de metade da população portuguesa tem excesso de peso, que uma em cada dez crianças é obesa e um terço tem peso a mais.

“Isto faz-nos ver que acordámos muito tarde, mas se despertamos para o problema então temos que pôr medidas em ação com muita força e esta força exige a continuidade daquilo que está desenhado. Não podemos abrandar de maneira nenhuma”, defendeu.

Para Alexandra Branco, o próximo Orçamento de Estado deve, à semelhança da maior parte dos países da OCDE, dedicar 3% dos custos associados à Saúde em prevenção da obesidade, em vez dos atuais 0,2%, de forma a travar a progressão da doença.

“Um país, quando aumenta o seu produto interno bruto, se não apostar em literacia e se não controlar a oferta alimentar, as doenças crónicas não transmissíveis vão surgir”, uma situação que aconteceu em Portugal e que se traduziu na duplicação da disponibilidade de carne e na triplicação da disponibilidade de gordura.

A ON lembrou, ainda, que a prevalência de doenças crónicas associadas a desequilíbrios nutricionais “assumem níveis preocupantes”. De acordo com a Direção-Geral da Saúde, metade das causas de doença e de morte no país tem relação direta com a alimentação.

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