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Cancro do testículo: Uso de biomarcadores pode evitar cirurgias agressivas
DATA
18/09/2018 11:32:05
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Jornal Médico
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Cancro do testículo: Uso de biomarcadores pode evitar cirurgias agressivas

Uma equipa de urologistas descobriu que o uso de biomarcadores (miRNA) permite evitar cirurgias agressivas que, até hoje, eram realizadas sem hipótese de diagnóstico prévio em doentes com tumores do testículo metastizado.

Segundo o coordenador de Urologia do Hospital CUF Coimbra, Ricardo Leão, o enfoque desta investigação incidiu sobre um grupo específico de doentes com cancro do testículo (não-seminomas): metastizado e já submetidos a quimioterapia. No entanto, alguns destes doentes ainda apresentavam lesões metastáticas.

Uma vez que não existe possibilidade de diagnosticar a natureza destas lesões, estas são removidas cirurgicamente quando medem mais do que um centímetro. Contudo, esta intervenção cirúrgica é muito agressiva e resulta em morbilidade significativa.

Em cerca de 45% a 50% dos casos, estes doentes não beneficiam de cirurgia. Através dos biomarcadores (micro RNA) permitem predizer a histologia das lesões residuais pós-quimioterapia.

O estudo, no qual Ricardo Leão participou, provou que estes biomarcadores, quando negativos, sugerem a inexistência de tumor ativo, o que permitirá poupar estes doentes a uma cirurgia muito agressiva.

“Estes biomarcadores poderão mudar o paradigma do tratamento de doentes com doença testicular metastática e auxiliar os urologistas a adequar a sua prática clínica proporcionando ao doente a terapêutica mais indicada – baseada numa medicina cada vez mais personalizada”, frisou o especialista da CUF Coimbra.

Atualmente, a equipa de investigação está envolvida num consórcio internacional que inclui equipas de integração dos Estados Unidos, Holanda e Alemanha. O objetivo é reunir o maior número de doentes com cancro do testículo e validar os miRNA como biomarcadores com aplicação clínica.

“A comunidade científica internacional que se dedica ao estudo e tratamento do cancro do testículo entende que estamos próximos de algo muito importante e este é provavelmente o próximo biomarcador a usar nas nossas clínicas”, salientou Ricardo Leão.

Saúde Pública

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