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Estudo sugere ligação entre Alzheimer e presença de vírus no cérebro
DATA
22/06/2018 10:04:15
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Estudo sugere ligação entre Alzheimer e presença de vírus no cérebro

Cientistas sugerem, num estudo ontem divulgado, uma potencial ligação entre a doença de Alzheimer e a presença de dois tipos de herpesvírus humanos (6A e 7) no cérebro.

A investigação, publicada na revista científica Neuron, identificou níveis elevados de dois tipos de herpesvírus humanos (6A e 7) em amostras de cérebro de pessoas que revelavam sinais da doença de Alzheimer. Contrariamente, os níveis eram mais baixos em cérebros saudáveis.

A abundância destes vírus-chave em cérebros afetados pela doença de Alzheimer pode levar à degradação e morte das células cerebrais (neurónios) ou agir de outra maneira, refere, em comunicado, a Universidade do Arizona, responsável pelo estudo.

“Não podemos dizer se os herpesvírus são a principal causa da doença de Alzheimer, mas o que é claro é que perturbam e participam nas redes diretamente subjacentes na patofisiologia da Alzheimer”, afirmou, um dos autores do estudo e professor de Genética e Ciências Genómicas da universidade norte-americana, Joel Dudley.

Os herpesvírus humanos 6A e 7, aos quais a maioria das pessoas está exposta no início da vida, entram no organismo através do revestimento nasofaríngeo. De acordo com os investigadores, um dos vírus-chave – o  6ª – regula a expressão de alguns genes de risco da doença de Alzheimer e os genes que regulam o processamento da proteína amiloide, um “ingrediente” importante nesta patologia neurodegenerativa (concentrações da proteína amiloide formam placas no cérebro que são características na doença Alzheimer).

A informação sobre a função do herpesvírus 6A, obtida a partir da análise do tecido cerebral de doentes, foi complementada com estudos envolvendo ratinhos, nos quais os cientistas avaliaram o efeito da redução da miR155, uma molécula que regula o sistema imunitário. Os resultados revelaram que os ratinhos com menos miR155 tinham mais depósitos de placas amiloides no cérebro e alterações comportamentais.

O herpesvírus 6A é conhecido por diminuir a presença desta molécula, o que, de acordo com os cientistas, dá mais peso a um possível contributo dos vírus para a doença de Alzheimer. Os autores do estudo sustentam que a confirmar-se que vírus ou outros agentes infeciosos desempenham um papel no desenvolvimento da doença Alzheimer, tal pode conduzir a novas terapias antivirais ou imunológicas para combater a patologia antes do aparecimento dos sintomas.

A equipa de investigadores explorou a presença de herpesvírus em seis regiões-chave do cérebro conhecidas como muito vulneráveis a danos causados pela Alzheimer e que precedem em várias décadas o diagnóstico da doença.

O estudo baseou-se em dados de sequenciação genética (ADN e ARN) de 622 dadores de cérebro com as características da doença de Alzheimer e de 322 dadores de cérebro “normais”, assim como em informação clínica sobre a evolução e gravidade da patologia antes de as pessoas morrerem.

Saúde Pública

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