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Médicos exigem mais dinheiro para a Saúde no OE 2019
DATA
25/05/2018 10:23:02
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Médicos exigem mais dinheiro para a Saúde no OE 2019

O presidente do Conselho Regional Sul da Ordem dos Médicos (CRSOM) defendeu, ontem, um aumento do financiamento da saúde no Orçamento de Estado (OE) de 2019 para melhorar a capacidade de resposta na prestação de cuidados de saúde à população.

"É preciso dar mais importância e aumentar o PIB per capita dedicado à saúde, de forma a responder, não só aos problemas da emergência, mas também aos problemas da prevenção, do tratamento e da evolução dos cuidados de saúde", disse Alexandre Valentim Lourenço, em declarações à agência Lusa.

O dirigente recordou que “O PIB per capita antes da intervenção da troika andava à volta dos 6,5% para a saúde no SNS, no anterior Governo era de 5,3% e atualmente está nos 4,8%. Estamos mais abaixo do que estávamos na altura da intervenção da troika", salientando que alguns países da Europa gastam "oito e nove por cento" do PIB na saúde.

Questionado sobre o crescimento do setor privado na área da saúde, Alexandre Valentim Lourenço reconheceu que o dinheiro do Estado canalizado para o setor privado seria mais útil no SNS.

"Ao canalizar para o exterior contratualizações à peça, para empresas que, muitas vezes, não têm rosto, e que não estão sob a alçada dos diretores clínicos e diretores de serviço, estamos a piorar muito a qualidade. E, por isso, esse dinheiro que é investido fora do sistema, se for colocado no SNS, claramente, vai permitir melhorar muito o SNS", disse.

Referindo-se ao Hospital São Bernardo, o presidente CRSOM considerou que o serviço de urgência está subdimensionado para a população carente, quer de recursos humanos, quer de espaço, lembrando que há a promessa de um novo serviço de urgência para aquela unidade hospitalar de Setúbal.

"Há um serviço de urgência prometido há muitos anos e que não vemos meio de ser efetivado. A qualidade da assistência aos doentes da região está afetada por esta falta de capacidade do serviço de urgência de responder às populações. O serviço de urgência canibaliza toda a capacidade do hospital de trabalhar de uma forma calma. Vive-se em função da urgência, que funciona mal e, por isso, os médicos e outros recursos são desviados para o serviço de urgência, não se fazendo aquilo que o hospital sabe fazer bem", mencionou.

O dirigente falou ainda sobre a falta de contratação de médicos, “não há médicos novos - os concursos são sistematicamente atrasados - e os que se mantêm no hospital estão a atingir o limite de idade e um cansaço extremo e não conseguem responder às solicitações”.

Segundo Alexandre Valentim Lourenço estes problemas são comuns a vários hospitais e estão a atingir alguns serviços que estavam, até agora, protegidos, como a maternidade e a urgência pediátrica.

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