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Hospitais em risco de fechar serviços por falta de enfermeiros
DATA
22/05/2018 11:33:32
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Hospitais em risco de fechar serviços por falta de enfermeiros

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) advertiu, hoje, que além do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vários hospitais do país estão em risco de encerrar serviços devido à falta de enfermeiros.

De acordo com a notícia avançada pela Diário de Notícias, o Hospital de Santa Maria viu-se obrigado a fechar camas e um setor de cirurgia devido à falta de recursos humanos e pela saída de enfermeiros (desde janeiro terão saído mais de 100).

Guadalupe Simões do SEP disse, em declarações à agência Lusa, que aquilo que está a acontecer no Santa Maria está a passar-se na maior parte dos hospitais portugueses, nomeadamente no Hospital da Cova da Beira, no Centro Hospitalar do Porto (CHP) e na Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM).

“O Santa Maria já encerrou um serviço de cirurgia, mas prevê-se que noutros hospitais possam vir a ser encerrados serviços resultado daquilo que é a não autorização do Ministério da Saúde e Ministério das Finanças de contratar enfermeiros”, avançou.

Segundo Guadalupe Simões, se não forem contratados enfermeiros, a ULSM pode vir a ter que encerrar serviços, assim como o CHP.

“Estamos a falar de grandes hospitais nas grandes cidades. Nos hospitais no interior ainda é mais grave porque a oferta é menor. A Unidade Local de Saúde de Castelo Branco, o Centro Hospitalar Médio Tejo, o hospital da Cova da Beira, todos estes hospitais estão numa situação de pré-ruptura e o Ministério da Saúde está a assistir a isto quase de forma passiva”, disse.

Para o dirigente do SEP, esta situação poderá agravar-se com a passagem dos enfermeiros com contrato individual de trabalho, a 1 de junho, para as 35 horas semanais.

“Todas as instituições reportaram para o Ministério da Saúde a necessidade de contratar enfermeiros decorrente dessa situação e hoje quando analisamos o balanço social dos hospital entre outubro de 2017 e abril deste ano (que são os dados disponíveis) na sua maioria todos perderam enfermeiros, têm hoje menos enfermeiros do que em outubro de 2017 e estamos a dois meses da entrada em vigor de uma lei que foi negociada e recebeu o aval do Ministério das Finanças para que se concretizasse e é na situação que estamos hoje de pré-ruptura e que rapidamente vai entrar em rutura”, considerou.

Guadalupe Simões considera ainda que esta situação não se resolve sem a contratação de enfermeiros.

“O que é estranho e deveras preocupante é que o governo na negociação da passagem dos enfermeiros para as 35 horas impôs que esta medida entrasse em vigor a 01 de julho contrariamente à nossa exigência precisamente para durante estes primeiros seis meses do ano se fizesse um plano de contratação de enfermeiros em função das necessidades”, disse.

O dirigente sindical, revelou que as reuniões com o Governo nunca se concretizam.

“O que se assiste é a uma série de obstáculos na contratação. Não se contratam enfermeiros de forma efetiva, não há autorização para substituir enfermeiros com ausências prolongadas desde que sejam contratos de trabalho em funções públicas e mesmo nos contratos individuais de trabalho só estão a ser substituídas as enfermeiras com licenças de parentalidade, mesmo estes contratos no que diz respeito às ausências por motivo de doença não estão a ser autorizadas as substituições. É o caos que está instalado”, concluiu.

 

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