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Cardiologistas querem “resposta organizada" para insuficiência cardíaca
DATA
16/04/2018 16:35:45
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Cardiologistas querem “resposta organizada" para insuficiência cardíaca

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) defende uma resposta organizada para a insuficiência cardíaca (IC), doença que atinge meio milhão de portugueses, bem como a criação de uma rede nacional semelhante à que já existe para doenças crónicas como a diabetes.

“A IC envolve cerca de meio milhão de portugueses que neste momento não têm uma organização montada em Portugal para os abordar e tratar”, disse o presidente da SPC, que falava à agência Lusa a propósito do encontro “Repensar a Estratégia da Sociedade Portuguesa de Cardiologia – decidir em conjunto”, que decorreu na passada sexta-feira, no Porto.

Para dar resposta a estes doentes, João Morais defendeu a criação de uma “organização nacional” como já existe para a diabetes ou para doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).

“Temos que criar uma rede nacional de diagnóstico desta entidade que está subdiagnosticada e futuramente uma rede nacional de ligação entre os cuidados primários e os cuidados hospitalares para tratar o melhor possível destes doentes” e reduzir a mortalidade que é “muito alta” nestes doentes.

Para o cardiologista, a identificação adequada destes doentes e a sua orientação para centros com capacidade para os tratar, deve passar a constituir uma “prioridade nacional”, tal como a prevenção da morte súbita.

“Há muitos anos que a cardiologia e os cardiologistas se organizaram muito bem para tratar do enfarte agudo do miocárdio, que foi a grande prioridade os últimos 20 anos”, adiantou. Neste momento, a SPC entende que “faz sentido mudar um pouco este foco” e criar estas novas prioridades.

O cardiologista apontou os progressos feitos nas últimas duas décadas: “A mortalidade por doenças do aparelho circulatório tem vindo sempre a baixar e aproximamo-nos da mortalidade por doenças oncológicas”, sendo o grande desafio que estas doenças deixem de ser a principal causa de morte em Portugal.

Salientou também os progressos alcançados na prevenção da morte súbita, para os quais o INEM tem contribuído, mas afirmou que os resultados ainda estão longe dos desejáveis “O que nos falta neste momento em Portugal é que cada cidadão possa ele próprio ser um responsável por este problema”, disse, defendendo que Portugal precisava de se “organizar do ponto de vista da prevenção da morte súbita como um direito constitucional à reanimação”.

A correta identificação de vítimas em paragem cardiorrespiratória e o acesso precoce à desfibrilhação é um desafio para todo o mundo civilizado, refere a SPC, considerando ser “imperativo a implementação de políticas na área da saúde” e uma estratégia que garanta o acesso a “cuidados de saúde de qualidade”.

“Hoje vamos reunir um grupo de cerca de 40 especialistas” nestas duas áreas e procurar discutir “três grandes assuntos”: que mensagens para o público e que “mensagens e desafios para os decisores” e para os médicos para “tratar a morte súbita e IC”.

Segundo dados divulgados pela SPC, cerca de 26 milhões de pessoas no mundo inteiro sofrem de IC e, em 2030, estima-se que este número tenha subido 25 por cento.

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